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Flipei: Estamos Vencendo — a Batalha do Perequê-Açu em Paraty

Os bucaneiros mais destemidos da Flip narram o que realmente aconteceu no fatídico debate com Glenn Grenwald e porque a extrema direita não ataca a Flip -- e vice-versa. Na sexta-feira (12/07), no ponto mais quente da Flipei, Festa Literária Pirata das Editoras Independentes, fascistas de verde e amarelo tentaram censurar o debate "Jornalismo em tempos de Lava Jato". Mas, para a tristeza deles, os piratas venceram. Os bucaneiros literários, com seu barco-livraria atracado ao lado esquerdo Rio Perequê Açu, trouxeram, numa operação de guerra, Glenn Greenwald, o jornalista à frente das denúncias contra a fraude de Moro e Dallagnol,...

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Confira a programação e as oficinas da Flipei

Os bucaneiros mais temidos do rio Perequê-Açú estão de volta com sangue nos olhos e faca nos dentes para mais uma edição da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes! Antes vivíamos sob um governo golpista, agora vivemos sob um governo militar protofascista – que tem por um de seus principais inimigos o socialismo. Entretanto, curiosamente, o mais renomado intelectual militar brasileiro também era um socialista. Euclides da Cunha, autor homenageado da Flip 2019, teve, assim como Lima Barreto, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e outros grandes literatos brasileiros, seu passado político completamente apagado da história. Poucos sabem, mas o...

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Editoras e autores independentes, uni-vos, pois a Flipei está de volta!

A Flipei (Festa Literária Pirata das Editoras Independentes) está de volta em 2019 com seu barco pirata anarco-comunista e escolheu este Primeiro de Maio¹ de luta para revelar suas novas tramoias e ambições.

A primeira delas é histórica: resgatar o lado socialista de Euclides da Cunha, convenientemente esquecido na latrina da história, que será homenageado na Flip 2019. Poucos sabem, mas autor do clássico Os Sertões foi preso e expulso do Exército, em 1888, por um ato de rebeldia ao quebrar seu sabre numa cerimônia com o ministro da Guerra do Império, Tomás Coelho. Após um breve período de exclusão, Euclides volta a ser reintegrado pelo Exército na República, mas continuou se envolvendo com ideias iconoclastas e passa a assinar seus artigos e crônicas no jornal A Província de São Paulo, o antigo Estadão, com o pseudônimo do anarquista Joseph-Pierre Proudhon, a quem se referia como um dos pensadores mais originais de seu tempo. Assim como Lima Barreto, negro anarquista, Euclides também teve seu passado político ceifado no decorrer da história.

No Primeiro de Maio de 1899, Euclides escreveu um manifesto inflamado no jornal O Proletário, lembrando que a data “se destina a preparar o advento da mais nobre e fecunda das aspirações humanas: a reabilitação do proletariado pela exata distribuição de justiça, cuja a formula suprema consiste em dar a cada um o que cada um merece. Daí a abolição dos privilégios derivados quer do nascimento, quer da fortuna, quer da força. Para esse fim é necessário promover a solidariedade entre todos os que formam a imensa maioria dos oprimidos sobre que pesam as grandes injustiças das instituições e preconceitos sociais da atualidade (…) o clube ‘Filhos do Trabalho’ promoverá a divulgação dos princípios essenciais do programa socialista, empenhando-se em difundi-lo entre todas as classes sociais”.

No mesmo texto, o ex-militar defende 21 pontos do programa socialista no jornal ligado ao Clube Democrático Internacional Filhos do Trabalho. Entre eles, está a emancipação da mulher com direitos iguais, impostos pesadíssimos sobre a renda, dissolução e distribuição dos bens do clero para a sociedade, escolas e justiça gratuita para todos, substituição das forças armadas pelo povo armado; estabelecimento de bolsas de trabalho e juros iguais para todos os cidadãos.

Dois anos depois de ter publicado Os Sertões, em 1904, Euclides se radicaliza ainda mais em favor do socialismo, defendendo o legado intelectual do comunista alemão Karl Marx, “este inflexível adversário de Proudhon”, quando lembra, num artigo intitulado Um velho problema, que: “o caráter revolucionário do socialismo está apenas no seu programa radical. Revolução: transformação. Para conseguir, basta-lhe erguer a consciência do proletário (…) Porque a revolução não é um meio, é um fim; embora, às vezes, lhe seja um meio termo, a revolta. Mas esta sem a forma dramática e ruidosa de outrora. As festas do primeiro de maio são, quanto a este último ponto, bem expressivas. Para abalar a terra inteira, basta que a grande legião em marcha pratique um ato simplíssimo: cruzar os braços… Porque o seu triunfo é inevitável”.

Todos os textos trazendo o lado socialista do autor estará disponível no livro que a editora Autonomia Literária, idealizadora da Flipei, lançará no evento.

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Nossa segunda arma no front é o reforço que traremos diretamente dos confins do Bixiga: o Rizomóvel, o vietcong nômade das editoras independentes. Nele vamos montar uma biblioteca pública com todo o acervo independentes presentes no barco e um estúdio de podcast onde nossos convidados serão entrevistados.

A terceira arma vai de encontro com um fenômeno interessantíssimo que vem rolando no mercado editorial: autores sem editora. Como se sabe, o livro “à cidade”, de Mailson Furtado, recebeu ano passado o mais consagrado, antigo e prestigiado prêmio literário do país, o Jabuti. A obra é uma publicação independente na qual o próprio autor desenhou a capa, foi atrás de revisão, diagramação e publicou sem nenhuma editora. Os bucaneiros da Flipei irão, portanto, reservar um espaço especial no barco para esses novos guerrilheiros autônomos na qual será cobrado apenas a taxa do cartão nas vendas (5%). Afinal, o que diferencia um pirata de um mercenário é a distribuição do butim.

Para colocar seu livro a venda em nossa nau pirata, basta preencher ESSA PLANILHA.

Não conhece a Flipei?

A Flipei é uma intervenção política feita por editoras independentes e uma trupe de anarquistas, comunistas, trotskystas, maoístas, bolivarianos e autonomistas na maior feira literária do país. Em nossa primeira edição conseguimos colocar no mar e na terra 69 horas de programação, pouquíssimas horas de sono, e cerca de 15.000 pessoas passando pelos nossos gramados, esticando suas cangas, tomando sol, comprando livros e vivenciando nosso pequeno Woodstock pirata.

E como dizia o lema de junho de 2013, “amanhã vai ser maior”, este ano pretendemos produzir um evento mais pujante, com menos hierarquias e mais horizontalidade, mais anticapitalista e com uma rede rizomática que aceite todas nossas próprias diferenças.

Assim como Euclides escreveu textos inflamados no primeiro de maio, convocou os trabalhadores à revolução e fez junções heterodoxas entre Marx e Proudhon de arrepiar os cabelos da burguesia, estaremos lá com nossa embarcação pirata para ecoar o legado de todas essas lutas. Sigamos na aventura de inventar os novos mapas de um “um mundo onde caibam vários mundos”, como diriam os zapatistas. Aguardem os próximos capítulos desse folhetim pirata, com ou sem garrafa de rum.

  1. Primeiro de maio foi o dia em que 08 trabalhadores anarquistas foram encomendados para a morte pelo Estado em 1886, nos EUA. Em meio a uma greve geral que reivindicava as 8 horas de trabalho diário que temos hoje, foram acusados de soltar uma bomba em meio a paralisação. Anos depois de serem sentenciados se constatou que não havia provas suficientes para a comprovação deste fato.

Katha Pollitt desvenda os 6 mitos mais viralizados nas redes sobre o aborto

Dados da Pesquisa Nacional do Aborto revelaram que, no Brasil, acontecem 1.550 abortos ilegais por dia. Para aprofundar o debate de uma forma mais didática, a Autonomia Literária está disponibilizando um capítulo do livro recém lançado Pró: reivindicando os direitos ao aborto, escrito pela poetisa e jornalista norte-americana Katha Pollitt. “Os argumentos de Pollitt mostram as tonalidades da realidade àqueles que se opõem a discutir o direito reprodutivo das mulheres - e revela como o argumento de que 'o aborto fere as mulheres' não tem sentido.“ -- Jessica Valenti, The Guardian A BÍBLIA PROÍBE O ABORTO O que a Bíblia diz...

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Confira o arsenal da Autonomia Literária para 2019

Como chegamos na beira deste precipício com a maior conjuntura neofascista dos últimos anos batendo em nossa porta? Crise, austeridade, populismo de direita, crise migratória, milicos com sede de poder, racismo institucionalizado, implosão da esquerda e aparelhamento do judiciário são alguns elementos dessa trama — que, por coincidência ou força do destino, são as temáticas que versam nosso catálogo para 2019. 

Para entender essa conjuntura caótica, vamos publicar uma turma de peso para dissecar essa hecatombe na qual nos encontramos. Confira!

Coleção antifascista

  • A revolucionária marxista alemã Clara Zetkin com Como nasce e morre o fascismo.
  • O historiador, e agitador político, Mark Bray, autor do já clássico, infelizmente, com Antifa: o manual antifascista.
  • E, para os fãs de HQs, uma aula de história com Antifa em quadrinhos: 100 anos de combatendo o movimento fascista. O livro é desenhado por Gord Hill e roterizado pelo errático historiador Mark Bray. 

Coleção Slam

Para o front poético-literário de nossas trincheiras, estamos preparando uma coleção organizada pelo poeta, slammer e produtor cultural, Emerson Alcade, três livretos que versarão pelos temas da negritude, feminismo, antifascismo e LGBT.

Ciência política

  • A socióloga marxista (UnB) mais temida pelos reaças do Youtube, Sabrina Fernandes, com Sintomas Mórbidos: a encruzilhada da esquerda brasileira.
  • O punk anarquista e professor de Relações Internacionais (Unifesp) Acácio Augusto com Anarquia em movimento: o fogo grego na antiglobalização.
  • O sociólogo marxista franco-brasileiro, e uma das principais cabeças da Quarta Internacional, Michel Lowy com A revolução é o freio de emergência: ensaios sobre Walter Benjamin.

Economia e crise

  • O popstar anti-austeridade, blogueiro marxista e ex-ministro do Syriza, Yanis Varoufakis, com Conversa de adultos: minha luta contra o establishment
  • O jornalista e economista marxista Edemilson Paraná com Bitcoin: a utopia tecnocrática do dinheiro apolítico.  

Geopolítica e Oriente Médio

  • As lembranças do sobrevivente armênio que escapou de um dos maiores massacres do século XX, Hampartzoum Mardiros, com A um fio da morte – memórias de um sobrevivente do genocídio armênio.
  • O jornalista, e um dos fundadores do The Intercept, Jeremy Scahill com Drone: assassinos sem alma.

Ficção e autobiografia

  • A autobiografia do primeiro escravo brasileiro a relatar a vida na antiga colonia Mahommah Gardo Baquaqua.
  • O slammer e poeta Emerson Alcalde com Diário bolivariano: um caminho para Carabobo.
  • Porcina D’Alessandro, ativista trans histórica, com Trinta Anos de Prisão: as memórias de Porcina D’Alessandro.

Livro-movimento

  • O maior movimento urbano do país que luta por moradia Movimento dos Trabalhadores Sem Teto com Laboratório de poder popular: as práticas comunitárias do MTST.

Vale lembrar que os títulos ainda são provisórios e podem ser alterado se depender dos intempéries dos editores. E outros livros podem ser acrescentando conforme a temperatura da conjuntura política do país.

Aborto: mulheres, resgatem seus direitos!

Em resenha do livro Pró: reivindicando os direitos ao aborto, recém lançado pela Autonomia Literária, autora destaca a necessidade de combater os esforços da direita religiosa para restringir o aborto nos EUA, retrocedendo um direito conquistado há 5 décadas. E lembra: até 1869 a própria igreja católica aconselhava métodos contraceptivos. Por Clara Jeffery, New York Times | Tradução Manuela Beloni “Nunca fiz um aborto, mas minha mãe, sim. Ela nunca me contou, mas, pelas peças que juntei depois que ela morreu, por uma menção em seu nome nos arquivos no FBI – que meu pai, um velho radical, solicitou juntamente com...

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O Regime Trump: até onde vai a paralisação americana?

Os Estados Unidos vivem sob a mais longa paralisação do governo federal em sua história, portanto, é preciso entender a dimensão a crise política americana e a agonia de Trump, inclusive nos seus perturbadores contornos sociais e econômicos. Por Hugo Albuquerque, editor da Autonomia Literária Donald Trump é o presidente mais impopular da história americana. Ou, pelo menos, desde que as taxas de rejeição e aprovação presidenciais são medidas, ninguém foi tão rejeitado -- e tão pouco aprovado -- em dois anos de mandato. Agora, depois de Trump ter usado o recurso do Shutdown, isto é, a paralisação da Administração...

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Clara Zetkin sobre Rosa Luxemburgo: “A obra da sua vida foi preparada para a revolução”

Esse texto, traduzido do portal espanhol Esquerda Diário por Patrícia Galvão, foi escrito por Clara Zetkin em 1919, após o assassinato de Rosa Luxemburgo. A Autonomia Literária tem a honra de publicar esse ano um dos escritos mais importantes de Zetkin: "Fighting Fascism: How to Struggle and How to Win". Rosa Luxemburgo foi assassinada aos 47 anos, no marco da insurreição dos Conselhos operários na Alemanha, sob a repressão de um governo social-democrata. Clara Zetkin foi sua amiga pessoal e camarada. Por Clara Zetkin | Tradução de Patrícia Galvão, no Esquerda Diário Em Rosa Luxemburgo habitava uma indomável vontade. Sempre...

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Estamos Todos em Perigo: razões e perspectivas da vitória eleitoral autoritária no Brasil

Por Jean Tible*, autor de Marx Selvagem pela Autonomia Literária, escolhido um dos melhores livros de 2018, na categoria de Sociologia (embora seja muito mais do que isso), pela Revista Quatro Cinco Um Esse país inocente te colocou num gueto no qual, ele, de fato, esperava que você iria perecer. Deixe-me colocar com precisão o que compreendo por isso, o coração da questão está aqui e é a disputa crucial com meu país. Você nasceu onde você nasceu e enfrentou o futuro que enfrentou porque você era negro e não por outro motivo. Os limites à sua ambição já estavam...

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Eu odeio o dia de Ano Novo

Por Antonio Gramsci* | Tradução Guilherme Ziggy Todas as manhãs quando acordo novamente debaixo da imensidão do céu, sinto que pra mim é dia de Ano Novo. É por isso que eu odeio esse Ano Novo que cai como uma maturidade acertada, que transforma a vida e o espírito humano em uma preocupação comercial com seus claros balanços finais, suas quantias exorbitantes, seus orçamentos para uma nova gestão. Eles nos fazem perder a continuidade da vida e do espírito. Você acaba pensando seriamente que entre um ano e outro há uma pausa, que uma nova história se inicia; você faz planos...

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Red week na Autonomia Literária!

O gerente ficou louco? Sim. Louco pelo socialismo (e por ti América)! É por isso que essa semana, entre os dias 17 e 21, a Autonomia Literária estará de portas abertas oferecendo seus livros a preços subsidiados, do jeito que nosso velhinho barbudo preferido gosta, em nossa casa. A parada funciona assim: Quem comprar 1 livro terá 10% de desconto Quem comprar 2 livros terá 30% E quem comprar 3 livros ou mais terá 50% de desconto! Estamos situados no antigo quilombo no centro de SP, o bairro Bixiga. Na rua Conselheiro Ramalho, 945, conjunto 02. Estaremos abertos das 14h às...

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Podcast ZAL #06: Drogas, biopolítica e antiproibicionismo

A sexta edição da Zona Autônoma Literária trata das drogas: questão central no problema do encarceramento em massa (o Brasil possui mais de 725 mil pessoas presas, ficando atrás apenas dos EUA 2,1 milhão e da China com 1,6 milhão). Além disso, a chamada “Guerra às drogas”, que lota as cadeias, também criminaliza minorias, empodera o tráfico e tenta castrar as liberdades individuais. Enquanto o mundo vem liberalizando e vendo outras formas de lidar com a fracassada dessa “guerra”, como é o caso de Portugal, Canada, Uruguai e alguns estados dos EUA, como o Colorado, o Brasil deve retroceder ainda...

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