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Não existem soluções “técnicas” ou “apolíticas” para as contradições do capitalismo

Ruy Braga comenta a importância do livro "Bitcoin: a utopia tecnocrática do dinheiro apolítico", escrito pelo marxista Edemilson Paraná, num país que naturalizou a crise econômica e aprofundou ainda mais a financeirização neoliberal. Por Ruy Braga, professor da USP A crítica da economia contemporânea transformou-se em uma arte cada dia mais difícil. Novos fenômenos econômicos emergem substituindo aqueles que, há pouco tempo, pareciam portar soluções definitivas para fenômenos complexos. Muitas vezes, os analistas naufragam em meio a tantas novidades enlaçando novas tecnologias, reconfigurações do mercado e alterações políticas repentinas. O ritmo da crise contemporânea desafia a ciência social a decifrar...

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Bitcoin é Dinheiro?

Por Edemilson Paraná, economista e revisor do livro Austeridade – A Historia de uma Ideia Perigosa

No dia 13 de janeiro, foi ao ar na TV Band e na Band News FM (com alguns reprises posteriores) entrevista que concedi a Flávio Lara Resende, no programa Band Entrevista. Compartilho aqui a edição com aquelas e aqueles que se interessarem pelo assunto. O papo foi sobre Bitcoin e as criptomoedas, tema com o qual tenho trabalhado em minhas pesquisas recentes sobre finanças e tecnologia.

Como devem imaginar, trata-se de uma discussão em conteúdo e formato que se pretendem didáticos e introdutórios, e que, por isso, não nos possibilitou tocar em alguns dos aspectos mais densos, polêmicos, contraditórios (e talvez mais interessantes) da coisa. Ainda assim, além de expor rapidamente as dimensões técnicas do funcionamento do sistema que ampara o Bitcoin e outros dados gerais, consegui apresentar as seguintes hipóteses: 1) o Bitcoin não é dinheiro no sentido pleno do termo e não chega nem perto de ameaçar a hegemonia de uma moeda universal como o dólar, sendo antes uma inovação financeira, um ativo financeiro altamente especulativo; 2) sua escalada está vinculada a processos estruturais (macrossociais) mais amplos como, por exemplo, a combinação entre a financeirização das economias (globalização financeira) e o desenvolvimento acelerado das tecnologias da informação e da comunicação nas ultimas décadas. Desse modo, é antes uma consequência do que propriamente uma causa de instabilidades sistêmicas; 3) sua valorização aponta fortemente para um processo de bolha especulativa.

Falo ainda da polêmica relação do Bitcoin com o mundo das transações econômicas criminosas e/ou ilícitas, bem como a grande e crescente concentração nesse “mercado” (o que levanta suspeitas de manipulação dos preços).
Lembrando que, para efeitos dos dados que menciono, a entrevista foi gravada em 15 de dezembro de 2017.