Com a palavra, nossos autores

Jean Tible – A esquerda se divide em dois polos: quem celebra e quem detesta Junho

Em entrevista ao IHU online, Jean Tible, autor de Marx Selvagem que ganhou novíssima edição que está prestes a ser lançada pela Autonomia Literária no evento América Des-coberta, fala sobre o estado da arte da crise da esquerda brasileira, impasses e alternativas para se constituir novos caminhos. Por Patricia Fachin para o IHU Online “A esquerda se divide em dois polos: quem celebra e quem detesta Junho”, resume Jean Tible à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. Segundo ele, o “polo” que existe entre a esquerda anti-Junho e a pró-Junho também foi manifestado na greve dos caminhoneiros, que aconteceu no mês passado. “É curioso como parte da esquerda tem...

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Toni Negri: O que se Esconde por Trás da Crise Italiana?

O pensador e militante revolucionário Toni Negri analisa a grave crise italiana, antevendo o impasse pós-eleitoral atual, o qual põe em xeque não só a União Europeia como joga querosene crise política global. Entrevista de Toni Negri para Francesco Oggiano para a Vanity Fair italiana  (Tradução Hugo Albuquerque) Nota de Tradução -- Pouco antes das eleições italianas de 4 de março último, Toni Negri, autor de Marx além de Marx, Verdades Nômades e personagem central de Negri no Trópico, todos publicados pela Autonomia Literária (o segundo publicado em parceria com a Editora Politéia e o último com a N-1 e a...

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Varoufakis: como, e por que, o petróleo ainda move o mundo?

Em tempos de crise aguda no Brasil, na qual a política de Temer para os combustíveis está no cerne do movimento de caminhoneiros que parou o Brasil, essencial entender a natureza do petróleo na atual economia capitalista: não só como matriz energética, sobretudo, como importante fator econômico. Por Yanis Varoufakis Trecho do capítulo "Interregno: crises do petróleo dos anos 1970, estagflação e aumento das taxas de juro", extraído do livro "O Minotauro Global" publicado pela Autonomia Literária em 2016. Logo depois, Nixon despachou seu secretário do Tesouro (um pragmático texano chamado John Connally) para a Europa com uma mensagem clara....

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Estados Unidos e Israel vão à guerra contra o Irã?

No delicado cenário do Oriente Médio, Irã e Israel, as duas maiores potências militares da região, se atacam mutuamente, enquanto Trump retira os Estados Unidos do acordo nuclear com os iranianos, uma grande guerra estaria para explodir na região? Por Patrick Cockburn (tradução de Hugo Albuquerque e Manuela Beloni) Israel lançou seu maior ataque contra as forças iranianas na Síria e não há dúvidas de que isso é um desdobramento gravíssimo. No entanto, os variados e incontáveis relatos de um Oriente Médio à beira da guerra não nos ajudam a compreender, de forma plena, os motivos e intenções dos vários...

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Guilherme Boulos jantou tucano à passarinho

O coordenador do MTST e pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, autor do livro "Por que ocupamos?", foi ao ninho tucano e jantou vivo os entrevistados, demoliu o governo golpista Temer, defendeu o aborto, redução dos juros espúrios aplicados no Brasil, o fim dos privilégios, o direto dos mais pobres e mostra com o país não superou a escravidão. Quem perdeu pode ver o programa aqui: 

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1968: revoltas globais, barricadas locais

Jean Tible, professor da USP e autor de Marx Selvagem, que têm uma nova versão sendo publicada pela Autonomia Literária neste mês, aproveita os cinquenta anos do Maio de 1968 para refletir sobre a importância das revoltas libertárias, anticoloniais, antipatiarcais e anticapitalistas que sacudiram as ruas, universidades, praças, desertos e florestas de Paris, México, Palestina, EUA, Praga,Vietnã e toda parte. A barricada fecha a rua, mas abre caminhos. Uma das frases símbolos dos muros de Paris em maio de 1968. 68, uma revolução mundial. Um vírus da desobediência contagiou todo o planeta: Paris, Senegal, Japão, Vietnã, Cidade do México, Praga, Estados...

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Varoufakis: Em Defesa do Manifesto Comunista!

Neste Primeiro de Maio e às vésperas do aniversário de 200 anos de Marx, Yanis Varoufakis, em recente introdução ao Manifesto Comunista, defende o texto não só por sua visão profética, mas pelo chamado à luta em tempos pré-apocalípticos.  Por Yanis Varoufakis (tradução de Daniel Corral e Hugo Albuquerque)* Para que um Manifesto tenha êxito, ele tem de falar aos nossos corações tal qual um poema, enquanto infecta a mente com imagens e idéias que são fascinantemente novas. Ele precisa abrir nossos olhos para as verdadeiras causas das desconcertantes, perturbadoras e empolgantes mudanças que ocorrem ao nosso redor, expondo as possibilidades que...

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“O assassinato da Marielle e a prisão do Lula são questões diferentes, mas se conectam”

Jean Tible, autor de Marx Selvagem, que ganha nova edição pela Autonomia Literária, fala à imprensa portuguesa sobre as eleições de 2018 e o delicado quadro que se anuncia: a estratégia de Lula e do PT, a opção Boulos e a ascensão do autoritarismo, que não permite mais a participação dos de baixo na vida política Por Isabel salema no Público Nós nos encontramos no Café PPD, perto da Praça da República, poucos dias depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido preso. Não era um piscar de olhos de Jean Tible à política portuguesa pós-25 de Abril, mesmo para um cientista...

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Debate: quem paga o pa(c)to na intervenção militar?

Devido a escalada do fascismo no Brasil, a Autonomia Literária promoveu um debate fundamental no Indie Book Day, dia mundial das editoras independentes, para entender melhor as entranhas da intervenção militar, a importância da descriminalização das drogas e os problemas da segurança pública.

Todos os convidados são autores de editoras independentes: Henrique Carneiro, professor da USP especialista na história da criminalização, um dos autores do livro “Dichavando o poder”, organizado pelo Coletivo Desentorpecendo A Razão e editado pela Autonomia Literária; Rosane Borges, professora Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da USP e integrante da Cojira-SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), autora e organizadora de diversos livros, entre eles, “Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro” e “Mídia e racismo”; Roger Franchini, escritor e ex-investigador de polícia, autor de “Ponto Quarenta – a Polícia Civil de São Paulo para leigos” (Editora Veneta); e Acácio Augusto, professor da UNIFESP e pesquisador no Nu-Sol (Núcleo de Sociabilidade Libertária), autor do livro “Política e polícia: cuidados, controles e penalizações de jovens” (Lamparina editora).

 

Guilherme Boulos: quem são os sem-teto?

Trecho do livro "Por que ocupamos?", escrito pelo atual candidato do PSOL, traça o perfil dos lutadores do maior movimento urbano do país que almeja organizar 22 milhões de trabalhadores sem moradia Por Guilherme Boulos É muito comum a visão de que os sem-teto são aqueles que estão em situação de rua, que dormem nas calçadas e encontram-se no limite da miséria. Obviamente, as pessoas que foram levadas pelo capitalismo a estas condições degradantes de vida são sem-teto. Mas não são os únicos. Aliás, representam somente uma pequena parte dos sem-teto no Brasil. Como vimos no capítulo 1, o número de sem-teto em nosso...

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Austeridade: o autoengano do liberalismo econômico

Entrevista de Gilson Camargo publicada originalmente no Jornal Extra Classe | Tradução: Grazieli Gotardo Depois de produzir uma crise sem precedentes desde o crash de 1929, os sistemas financeiros e os governos dos países ricos emitiram dívidas e elevaram ao limite o déficit fiscal. Nos Estados Unidos e boa parte da Europa, os bancos centrais e os tesouros nacionais passaram a mobilizar seus balanços para resgatar bancos quebrados, gerando a expansão de déficits e endividando os estados. Na sequência, “os mercados” passaram a alertar que o endividamento dos países havia chegado a limites inaceitáveis e que a única solução seria...

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Entre Salas e Celas: entrevistas de Marcelo Semer em tempos de agitação judicial

[caption id="attachment_2130" align="alignleft" width="278"] Ilustração de Rafa Semer[/caption] Entre Salas e Celas de Marcelo Semer, publicado pela Autonomia Literária e que já chega à segunda edição em poucos meses, além da excelente recepção do público também tem despertado interesse da imprensa, rendendo boas entrevistas do autor. O livro, uma série de crônicas do autor, que foi juiz criminal por anos no Fórum Central da Barra Funda em São Paulo capital, não poderia ter vindo em momento mais oportuno, justamente quando o Brasil se vê atravessado por julgamentos rumorosos e polêmicos, gerando acalorados debates no seio da sociedade e entre os juristas....

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Bitcoin é Dinheiro?

Por Edemilson Paraná, economista e revisor do livro Austeridade – A Historia de uma Ideia Perigosa

No dia 13 de janeiro, foi ao ar na TV Band e na Band News FM (com alguns reprises posteriores) entrevista que concedi a Flávio Lara Resende, no programa Band Entrevista. Compartilho aqui a edição com aquelas e aqueles que se interessarem pelo assunto. O papo foi sobre Bitcoin e as criptomoedas, tema com o qual tenho trabalhado em minhas pesquisas recentes sobre finanças e tecnologia.

Como devem imaginar, trata-se de uma discussão em conteúdo e formato que se pretendem didáticos e introdutórios, e que, por isso, não nos possibilitou tocar em alguns dos aspectos mais densos, polêmicos, contraditórios (e talvez mais interessantes) da coisa. Ainda assim, além de expor rapidamente as dimensões técnicas do funcionamento do sistema que ampara o Bitcoin e outros dados gerais, consegui apresentar as seguintes hipóteses: 1) o Bitcoin não é dinheiro no sentido pleno do termo e não chega nem perto de ameaçar a hegemonia de uma moeda universal como o dólar, sendo antes uma inovação financeira, um ativo financeiro altamente especulativo; 2) sua escalada está vinculada a processos estruturais (macrossociais) mais amplos como, por exemplo, a combinação entre a financeirização das economias (globalização financeira) e o desenvolvimento acelerado das tecnologias da informação e da comunicação nas ultimas décadas. Desse modo, é antes uma consequência do que propriamente uma causa de instabilidades sistêmicas; 3) sua valorização aponta fortemente para um processo de bolha especulativa.

Falo ainda da polêmica relação do Bitcoin com o mundo das transações econômicas criminosas e/ou ilícitas, bem como a grande e crescente concentração nesse “mercado” (o que levanta suspeitas de manipulação dos preços).
Lembrando que, para efeitos dos dados que menciono, a entrevista foi gravada em 15 de dezembro de 2017.