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Flipei: Estamos Vencendo — a Batalha do Perequê-Açu em Paraty

Os bucaneiros mais destemidos da Flip narram o que realmente aconteceu no fatídico debate com Glenn Grenwald e porque a extrema direita não ataca a Flip — e vice-versa.

Na sexta-feira (12/07), no ponto mais quente da Flipei, Festa Literária Pirata das Editoras Independentes, fascistas de verde e amarelo tentaram censurar o debate “Jornalismo em tempos de Lava Jato”. Mas, para a tristeza deles, os piratas venceram.

Os bucaneiros literários, com seu barco-livraria atracado ao lado esquerdo Rio Perequê Açu, trouxeram, numa operação de guerra, Glenn Greenwald, o jornalista à frente das denúncias contra a fraude de Moro e Dallagnol, para debater com Alceu Castilho, Sérgio Amadeu, Gregório Duvivier e Sabrina Fernandes. Glenn partiu com a mesma tranquilidade que chegou. A tranquilidade dos vitoriosos.

Os fascistas, assentados na margem direita do Rio Perequê-Açu, tentaram em vão calá-lo. Como se não bastasse o som alto para interromper o debate, a horda bolsonarista disparou por mais de uma hora fogos de artifício contra nossa embarcação. Aliás, pelos fogos, nós agradecemos, foram lindos! Na tentativa de intimidar a mesa e abafar as falas, eles apenas amplificaram sua própria derrota. Não abafaram a voz de ninguém, apesar da reportagem d’O Globo dizer o contrário, negando a realidade.

Por ironia do destino, o bolsonarismo-morismo busca deslegitimar as reportagens capitaneadas por Glenn, no Intercept, sobre a farsa da Lava Jato com a acusação de que os vazamentos foram, vejamos só, fruto da ação criminosa de um hacker [pirata]: pirata só o barco que recebia os palestrantes.

A tentativa de impedir a chegada de Glenn, sob as vistas grossas da policia e a Flip, que ficaram assistindo a ameaça criminosa à tripulação da embarcação-livraria em um evento de literatura, revela a naturalização do micro-fascismo que se passa em nosso país. A polícia ou a organização da Flip ter achado essa violência “normal” ilustra a farsa que é o Brasil, com as instituições funcionando sempre a favor dos autoritários.

A Flip, por sinal, teve uma posição sintomática. Por mais que a Flipei seja um evento parceiro dela, embora autônomo e com uma programação própria, é impensável que o mesmo se abateria caso alguém direcionasse rojões contra a programação oficial.

Ao mesmo tempo, sabemos que dificilmente isso ocorreria pela natureza política da Flip: um evento no qual a cultura literária ainda aparece como um elemento apolítico, distanciado e domesticado ao sabor da elite, por mais que tenha se esforçado para se abrir nos últimos anos à pluralidade existente no nosso país.

Há um pano de fundo político histórico que se repete. A espinha dorsal da Flip ainda é o liberalismo. E o liberalismo não só não se incomoda com o fascismo como não tem vocação para incomoda-lo. No entanto, a policia e a Flip se incomodam com o que o que incomoda o fascismo: anarquistas e comunistas festejando e debatendo em cima de um barco pirata lotado de livros. Assim, mais uma vez, como tantas na história, a farsa democrática do liberalismo se encontra com a tragédia autoritária do fascismo.

Significativo, também, isso ter ocorrido em Paraty, principal porto do Ciclo do Ouro, onde a opressão aos povos nativos e os resquícios da escravidão são presentes até hoje: enquanto o turismo movimenta milhões, sobretudo com a Flip, comunidades indígenas e quilombolas são ameaçadas e trabalhadores são alijados dessa riqueza. 

Só que Paraty é também resistência. Como aconteceu na sexta-feira, nesse tempo de velório da esquerda, em vez de luto, se ousou fazer luta. Sobretudo, pela hackeagem não apenas do evento, mas da verdade imposta pelo capital na forma da Lava Jato, cuja máscara caiu, como bem lembrou Glenn em sua fala.

Estamos felizes e orgulhosos pela vitória! Nossos livros, conversas, encontros e relações são veículos de afetos alegres, pois, produzem liberdade e não servidão. Como piratas, seguiremos singrando os mares revoltos de um país conflagrado, erguendo nossa triunfante alegria contra a pulsão de morte dos fascistas.

Estamos vencendo e seguiremos, pois, conosco está a afirmação da vida livre!

*Nota coletiva dos piratas da Flipei, agradecimentos especiais a Acácio Augusto, Hugo Albuquerque, Wander Wilson e Lígia Marinho.

Um comentário sobre "Flipei: Estamos Vencendo — a Batalha do Perequê-Açu em Paraty"

  1. Parabéns pela ousadia e coragem.
    Seria interessante a publicação de mais vídeos sobre o ataque FASCISTA é de toda palestra.
    Abraços e bom trabalho

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